Sep 05 2008

Você quer ministrar um curso no OWASP EU Summit 2008?

Published by eduardo under Notícias, OWASP

A conferência OWASP EU Summit 2008 é uma fonte de informações de alta qualidade procurada por líderes na comunidade mundial de Segurança da Informação. Executivos de empresas Fortune 500, arquitetos de segurança e desenvolvedores irão viajar até Portugal em novembro para ouvir o que está acontecendo e como será o futuro deste mercado.

Estamos estruturando a agenda de treinamentos, onde você poderá apresentar um curso sobre Segurança da Informação para nossos membros e convidados. Além da oportunidade de participar de um evento world class e ter acesso a todos os módulos da conferência (o que equivale a US$ 1,160), os instrutores são remunerados com:

  • Pagamento diário de USD 2,000 para turmas entre 8 e 20 alunos;
  • Pagamento diário de USD 3,000 para turmas com mais de 20 estudantes, e
  • Pagamento diário de USD 4,000 para turmas com mais de 30 estudantes.

Como responsável pela formação da grade de treinamentos, gostaria de convidar os interessados em ministrar cursos de IT Security a entrarem em contato comigo para maiores detalhes em eduardo.neves (at) owasp.org.

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Sep 04 2008

Data Leaking Made in Brazil

Published by eduardo under Notícias

Não costumo publicar nenhum post sobre notícias de outros lugares, mas esta realmente foi de matar. Apesar das notícias que já apareceram em jornais falando da venda de cadastros da Receita Federal por quadrilhas especializadas e das ações de repressão da Polícia Federal, esta matéria do SBT foi matadora. Além de mostrar  o funcionamento do data leaking, o repórter mostrou uma prova de conceito e foi bastante sarcástico com a resposta do representante do Governo Federal, que realmente não teve uma explicação plausível para o fato.

O que assusta mais? O fato demonstrado, a incapacidade de resposta do representante do Governo Federal ou ele achar que adotar Certificação Digital é a bala de prata para proteger o sistema em questão de futuros vazamentos de dados?

A imagem deste post está licenciada em CC.

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Aug 09 2008

Entendendo o PCI DSS

Published by eduardo under Artigos

Escrevi este artigo para falar um pouco sobre PCI, uma vez que não consegui achar muito material em português sobre o assunto. Como de costume, uma versão em PDF também está disponível. Críticas, sugestões e comentários são muito bem vindos. :)

Muito mais que um padrão Snake Oil

No meio da corrida pelo ouro que movimentou a Califórnia do Século XIX, muitos comerciantes aproveitaram a grande quantidade de moeda circulante para vender um elixir que curava tudo: o Snake Oil. De dedo inflamado a dor de cabeça, o remédio tinha propriedades milagrosas. Ou pelo menos era vendido assim. Com o passar do tempo, o termo entrou para o linguajar norte-americano como uma fraude que promete milagres mas é incapaz de fazer mais que um placebo. O onipresente autor, pesquisador e profissional de IT Security, Bruce Schneier, usou o termo em seu blog ao se referir a forma como alguns produtos de criptografia estavam sendo vendidos. Belas palavras que impressionam um leigo mas ao serem analisadas por um profissional com um mínimo de conhecimento sobre o assunto não passam desta definição: belas palavras.

Os padrões de segurança estabelecidos pelo Payment Card Industry (PCI) Council são referenciados por muitas pessoas desta forma, como um conjunto de regras simplista criado para satisfazer a necessidade de mostrar aos clientes das operadoras de cartão de crédito que seus dados estão sendo protegidos. Esta visão me parece primária e equivocada, pois a adoção de qualquer padrão de segurança pode cair no mesmo erro. Durante a minha carreira já vi empresas de diversos setores implementarem Planos Diretores de Segurança da Informação que deixavam todos os auditores que tinham pouco pouco tempo para fazer o seu trabalho satisfeitos, mas não resistiam a uma análise um pouco mais profunda.

Independente de qual seja o padrão de segurança que a sua empresa adote – ou queira adotar – a forma como o processo é implementado e administrado, importa muito mais do que a quantidade de controles que serão colocados no seu ambiente. Os controles estabelecidos pelo PCI Council tem a vantagem de serem simples, eficazes dentro do escopo ao qual se propõe a abordar e altamente escalonáveis. Este artigo mostra em uma visão geral, como estes padrões nasceram, quais controles são esperados e como a sua empresa pode se alinhar para um processo de certificação.

As origens do PCI DSS

A popularização da Internet e o consequente cresimento do e-commerce multiplicaram de forma exponencial a quantidade de transações feitas pela Internet, gerando somente no Brasil, um crescimento anual que orbita entre 40% a 60%. Em valores mais palpáveis, este mercado movimentou R$ 6,3 bilhões em 2007, com um tíquete médio de R$ 302. E apesar das opções de boleto bancário e débito em conta corrente, o cartão de crédito é a forma de pagamento escolhida pela maioria absoluta dos consumidores. Um cenário impressionante que cria um motivador para o cyber crime em todas as partes do mundo.

A fraude mais comum é o furto de dados de um determinado portador de cartão de crédito e o uso para compras e transferência de valores entre contas. A mídia brasileira publica com frequência a prisão de quadrilhas envolvidas com este tipo de prática, porém um cenário muito mais amplo já está sendo mantido: o comércio de números de cartão de crédito no mercado negro. Uma vez que é muito mais eficaz concentrar a tentativa de furto de dados em um lugar onde exista uma grande quantidade de números de cartão de crédito, para que um cyber criminoso irá perder tempo com um único consumidor se ele pode mirar na base de dados de uma empresa de e-commerce?

Se cruzarmos esta premissa com a quantidade de vulnerabilidades que existem em web sites, está pronta a receita para uma avalanche de fraudes em todo o mundo. E elas estão ocorrendo há quase uma década com números cada vez maiores, uma vez que o crime organizado aprendeu a usar crackers para suportar suas atividades. As fraudes[1] envolvendo informações de portadores de cartão de crédito aumentaram de US$ 1,5 bilhões em 2000, para US$ 3,6 bilhões em 2007, e como mesmo período, o percentual de perdas com fraudes on line caiu de 3,6% para 1,4%, os números deixam claro que já algum tempo era preciso fazer algo para interromper a crescente perda de rentabilidade frente as fraudes, uma vez que o comércio on-line não para de crescer.

Diante deste cenário, as maiores empresas de cartões de crédito – American Express, Discover, MasterCard e Visa – decidiram criar regulamentos para evitar o furto de dados dos portadores de seus produtos e o uso destes em fraudes. O PCI Data Security Standard (DSS) foi criado em 2004 e implementado à partir de 30 de junho de 2005.

Os controles do PCI DSS

Focado em implementar controles de segurança nos componentes da infraestrutura de TI que suportam o fluxo de dados do portador de cartão de crédito, o PCI DSS é formado por um conjunto de práticas que estão presentes na maioria das normas e regulamentações relacionadas à Segurança da Informação.A grande diferença, é que o PCI DSS é focado na proteção de um ativo exclusivo, e foi desenvolvido para impedir a ocorrência de fraudes e outros problemas oriundos do uso inadequado das informações relacionadas ao cartão de crédito.

Composto de doze exigências distribuídas em seis linhas de controles, o PCI DSS apresenta controles de segurança técnica básicos, que devem ser entendidos como uma primeira etapa na construção de um ambiente protegido.

Construa e Mantenha uma Rede Segura

Por mais simples e óbvia que pareça esta prática, uma das maiores portas de entrada para o cyber crime é o uso de contas default e a exploração de parâmetros de segurança fornecidos pelos prestadores de serviços. Usando informações que podem ser obtidas pela Internet, ou exploits de vulnerabilidades conhecidas, os crackers acessam as bases de dados das empresas, capturam a informação e apagam seus rastros.

Nas duas exigências relacionadas a esta linha de controle, o PCI DSS exige que as empresas tenham um firewall protegendo sua rede de dados e nunca caiam no erro apresentado no parágrafo anterior. Os controles se abrem em itens muito específicos descrevendo as configurações mínimas e como proceder na administração das mesmas no dia-a-dia.

Proteja os Dados do Portador de Cartão

Uma vulnerabilidade largamente explorada em tentativas de acesso indevido, é a presença de falhas em bancos de dados decorrentes de configurações inadequadas e falta de cuidado com a modelagem do controle de acesso. A exigência 3 do PCI DSS toca exatamente neste ponto, detalhando como as bases de dados com informações sensíveis – dentro do escopo já citado – devem ser protegidas quando armazenadas.

A exigência 4 completa o ponto, especificando como elas devem ser protegidas em trânsito. Nesta vale uma observação, além do fluxo comum pela Internet que deve ser protegido com Secure Socket Layers (SSL) e similares, a transmissão a ser cuidada inclui redes nem sempre consideradas, como WiFi e GPRS. Um bom trabalho de casa para as empresas que equipam suas forças de vendas com smartphones e similares.

Mantenha um Programa de Administração de Vulnerabilidade

Apesar da exigência 5 determinar algo relativamente comum às empresas, que é o uso e a administração de programas antivírus, incluindo suas atualizações de assinaturas e modo de implementação, a exigência 6 toca em um aspecto constantemente ignorado: o cuidado no desenvolvimento e manutenção de sistemas operacionais e aplicações. A instalação de patches de segurança não é um processo usual, pois mudanças em um ambiente um pouco mais complexo que o padrão considerado pelo fabricante pode simplesmente para um sistema crucial para a empresa.

Como avaliar o que é mais importante em janelas de tempo onde as vendas de uma empresa estão ocorrendo? Parar um servidor para executar a atualização e interromper o processo comercial ou deixar para fazer quando puder? E torcer para esta data existir depois que o stress da situação passar? Indo além no mesmo ponto, em quantas empresas existe um Secure Development Life Cycle (SDLC) integrado ao processo de desenvolvimento de aplicações internas?

São exigências que devem considerar áreas muito além do escopo definido pelo PCI DSS e exigem investimentos em empresas de qualquer porte – e por isso mesmo, estão entre as mais criticadas pelo mercado – mas não passam de práticas de segurança que devem ser utilizadas em qualquer empresa que queira alcançar um nível mínimo de proteção do seu ambiente de TI.

Implemente Medidas Rígidas de Controle ao Acesso

Estabelecer um processo de segregação de funções e o Princípio do Menor Privilégio, são práticas consagradas de administração de empresas para evitar fraudes e abusos de privilégios como os que resultaram na criação da regulamentação Sarbanes-Oxley nos Estados Unidos.

A exigência 7 do PCI DSS segue esta linha, estabelecendo que o acesso aos dados do portador de cartão deve ser concedido somente aqueles que necessitam conhecê-lo para a execução de seus trabalhos.

A exigência 8 estabelece a necessidade de atribuir um único ID par cada pessoa que acesse os sistemas, um princípio consagrado de rastreabilidade. Vale olhar com mais cuidado o texto, pois a abertura dos critérios entra em vários tópicos de controle de acesso, como bloqueio de contas, troca de senhas e autenticação de dois fatores.

A exigência 9 define as medidas de controle de acesso físico aos dados do portador de cartão, dando uma pequena pincelada em administração de mídias de backup e tratamento de descarte de mídias, ainda que não seja muito criteriosa neste último aspecto.

Acompanhe e Teste Regularmente Todas as Redes

As exigências 10 e 11 se completam em um processo de monitoramento contínuo da segurança estabelecida na rede de dados. Enquanto a primeira foca na obrigatoriedade de se acompanhar e monitorar o acesso aos recursos da rede e dados do portador de cartão, a segunda segue na linha de testes regulares de segurança técnica, onde scans de vulnerabilidade externa e penetration tests fazem a simulação de uma tentativa de cracking à partir do ambiente externo.

O monitoramento de acesso citado na exigência 10 trata da existência e administração de vários tipos de logs, tais como os que registram acessos privilegiados, alteração de objetos, processos de autenticação e outros eventos que podem ser utilizados posteriormente para rastrear uma tentativa de quebra de segurança.

A exigência 11 entra em um dos pontos onde a empresa precisa contar com os serviços especializados de um Approved Scanning Vendor (ASV) para executar as atividades de análise externa de vulnerabilidades. Além de ser um ponto de controle onde muitas empresas erram por não manterem uma rotina de testes dessa natureza, é fundamental entender que o processo de scans e pen-tests é novamente focado no escopo do PCI DSS, e não deve ser entendido como um teste de vulnerabilidades baseado nestas práticas.

Mantenha uma Política de Segurança da Informação

A exigência 12 é a única componente desta parte, mas é desdobrada em dez tópicos complementares que especificam exatamente o que é esperado pelo PCI DSS em uma Política de Segurança. Os controles são completamente voltados para Segurança Técnica dentro do escopo pretendido pelo padrão, e assim como a prática anterior, não deve ser confundidos com o desenvolvimento e implementação de um Information Security Management System (ISMS) da ISO 27001.

Um ponto extremamente relevante nesta exigência, é a obrigação dos prestadores de serviços de hosting (ex. Data Center) em aderir a algumas das regras estabelecidas pelo PCI DSS. O texto do padrão é muito claro em informar que “o prestador de serviço de hosting deve atender a todas essas exigências (citadas), assim como todas as outras seções relevantes do PCI DSS….”, isto abre margem a interpretação de que o padrão deve ser aplicado em qualquer local onde os dados do portador do cartão estejam sendo armazenados e/ou transmitidos, e extende a responsabilidade pela proteção a todas as partes envolvidas.

Como Funciona a Aderência ao PCI DSS

A primeira questão a ser respondida é: o quão aderente a empresa precisa estar? O PCI DSS deve ser aplicado a qualquer organização que armazene, processe ou transmita os dados do portador de cartão, desde que o Primary Account Number (PAN) esteja dentro deste escopo. E ele normalmente está.

É necessário então classificar em qual nível de aderência a empresa deve ser incluída, o que irá determinar o tipo de trabalho de adequação necessário e as medidas de manutenção da aderência ao decorrer do tempo. O gráfico abaixo mostra o ecosistema estabelecido pelo PCI Council, onde irei abordar somente o processo de certificação com o PCI DSS.

A Classificação dos Comerciantes e Processadoras

O PCI DSS define cinco modelos de validação[2] para a aderência ao PCI DSS, baseados em como a empresa utiliza os dados do cartão de crédito.

Para cada modelo, um Self Assessment Questionnaire (SAQ) é mantido e deve ser utilizado para a validação da necessidade de aderência, onde os controles podem ser melhor entendidos, avaliados e sua aplicabilidade verificada.

  • SAQ 1: Estabelecimentos de cartão ausente (e-commerce ou transações pelo correio ou telefone), todas as funções de dados de portador de cartão executadas por terceiros. Esta categoria nunca se aplica a estabelecimentos com vendas frente a frente.
  • SAQ 2: Estabelecimentos apenas com máquina de decalque e sem armazenamento dos dados do portador de cartão.
  • SAQ 3: Estabelecimentos de terminal independente tipo dial-up, sem armazenamento dos dados do portador de cartão.
  • SAQ 4: Estabelecimentos com sistemas de aplicativo de pagamento conectados à Internet, sem armazenamento dos dados do portador de cartão.
  • SAQ 5: Todos os outros estabelecimentos e todos os prestadores de serviço definidos por uma marca de pagamento como sujeitos a preencher um SAQ.

Após entender como a empresa deve avaliar sua necessidade de aderência, o processo de validação de controles pode ser iniciado através da análise de atendimento a cada um dos requerimentos estabelecidos pelo PCI DSS.

Algo que é interessante para as empresas neste cenário, é aproveitar este momento para entender o seu nível de classificação dentro dos critérios de quantidade de transações estabelecido pelo PCI Council, e estimar o custo de manutenção da aderência para curto, médio e longo prazo. Estes níveis seguem os critérios estabelecidos pela VISA e MasterCard na classificação de seus clientes pela quantidade de transações efetuadas em um período de 12 meses, e também são aplicáveis às Processadoras:

Nível

Definição do Comerciante

Definição da Processadora

1

Mais de 6 milhões de transações anuais em todos os canais de vendas.

Todos as processadoras da VisaNet e payment gateways, que são as empresas que fazem a transmissão dos dados desde o comerciante até as operadoras de cartão.

2

Entre 1.000.000 e 5.999.999 transações anuais em todos os canais de vendas.

Todos as processadoras que não estejam classificados no Nível 1 e transmitam mais de 1.000.000 de transações anuais.

3

Entre 20.000 e 1.000.000 transações anuais em todos os canais de vendas.

Todos as processadoras que não estejam classificados no Nível 1 e transmitam menos de 1.000.000 de transações anuais.

4

Menos de 20.000 transações anuais em todos os canais de vendas.

N/A

Da Análise de Aderência ao ROC

Após avaliar em qual nível de atendimento aos requerimentos a empresa está inclusa, o processo de aderência pode ser iniciado. Existem diversas formas de começar este trabalho, e possivelmente uma empresa especializada poderá ajudar.

Neste ponto, começa a necessidade de estimar até onde uma empresa precisa de ajuda externa para estar aderente ao PCI DSS. As consultorias especializadas são autorizadas pelo PCI Council a atuarem em dois escopos diferentes:

  • Qualified Security Assessor (QSA): São empresas autorizadas a prestar serviços de auditoria na aderência ao PCI DSS – chamados no jargão relacionado de On-Site Data Security Assessments – processos de Gap Analysis com o padrão e demais serviços de consultoria relacionados.
  • Approved Scanning Vendor (ASV): São empresas autorizadas a prestar serviços de application vulnerability scans e penetration tests no escopo do PCI.

Ao considerar o suporte destes dois modelos de trabalho especializado na obtenção da aderência ao padrão, as empresas devem avaliar alguns pontos de custo/benefício que irão variar de acordo com cada mercado, tipo de empresa e tamanho do escopo onde o PCI DSS é aplicável.

Primeiro Passo: A Análise de Aderência

O processo de comparação dos controles existentes com os requerimentos do PCI DSS é conhecido como gap analysis e pode ser feito por qualquer pessoa que tenha um conhecimento mínimo de segurança. O que deve ser feito é fazer o download do PCI DSS, entender os controles estabelecidos e mapear o quão aderente a empresa está.

Os próprios documentos disponíveis no web site do PCI Council podem ser usados neste processo. Além do padrão estar disponível em várias línguas, existe um FAQ bastante completo, e documentos de suporte para diversas atividades. Eu recomendo que ao fazer um gap analysis, a empresa use o mesmo documento considerado para o On-Site Data Security Assessment.

Este documento apresenta os controles em uma matriz de aderência bastante útil, simplificando o processo e ajudando a não esquecer nenhum dos controles apresentados.

Usar uma empresa especializada em Segurança da Informação – seja um QSA ou não – para ajudar neste processo é uma questão de avaliar se a equipe da empresa tem as competência, a experiência e o tempo para esta atividade.

As maiores vantagens de ter o suporte de alguém com experiência neste tipo de atividade, é não repetir os erros ocorridos em outras empresas e poder contar com o conhecimento necessário para fazer o que é recomendado por todas as consultorias da área: reduzir o fluxo dos dados do portador do cartão ao mínimo possível.

Isto permite que a aderência ao PCI DSS seja menos custosa e a manutenção dos controles mais simples, barata e eficaz. Especialmente para empresas de médio e pequeno porte, esta recomendação pode fazer uma grande diferença.

Segundo Passo: Implementando os Controles

Como defendi no início deste artigo, o PCI DSS tem a vantagem de manter controles simples, eficazes dentro do escopo ao qual se propõe a abordar e altamente escalonáveis. Quando se tem o resultado do gap analysis, é possível analisar não só as necessidades de implementação de controles, como ainda ter uma boa perspectiva das deficiências da empresa em relação à Segurança da Informação.

Como os controles estabelecidos pelo PCI DSS podem ser aplicados a toda a empresa, é bem possível que as atividades para atender a necessidade de aderência caiam em uma das falhas mais comuns em qualquer empresa[3].

A solução recomendada é corrigir as vulnerabilidades existentes e desenvolver os controles exigidos pelo padrão em toda a organização. Claro que isso custa dinheiro e requer um esforço que talvez não esteja disponível, e é aí que a escalonabidade do PCI DSS pode ajudar.

Quando a aderência é o motivador para o desenvolvimento dos controles, é possível trabalhar dentro do escopo requerido pelo PCI DSS e posteriormente ampliar a aplicabilidade para os demais componentes da empresa.

Especialmente quando se fala de Controle de Acesso e Política de Segurança, é muito provável que seja necessário implementar em quase toda a empresa para atender aos requerimentos do padrão, o que pode ser usado para elevar o nível de segurança de uma forma geral.

Terceiro Passo: A Auditoria

Depois de implementar os controles faltantes e atender aos requisitos do PCI DSS, é necessário fazer uma auditoria que ateste a presença e eficácia dos mesmos na proteção dos dados do portador de cartão. O processo novamente depende do posicionamento da empresa dentro das categorias definidas pelo PCI Council.

Os Comerciantes classificados nos Níveis 2, 3 e 4 e as Processadoras classificadas no Nível 3, podem fazer a auditoria através do PCI Self-Assessment Questionnaire, o que não requer nenhuma ajuda externa e pode ser feito pela equipe da própria empresa nos mesmos moldes apresentados para o gap analysis.

Os Comerciantes classificados no Nível 1 e as Processadoras classificadas nos Níveis 1 e 2, precisam obrigatoriamente contratar um QSA para fazer a auditoria.

Existem algumas discussões em andamento, na qual é defendida a posição de um grupo de auditoria interna da empresa ter a “autorização” para fazer o On-Site Data Security Assessment. Em caso de dúvidas nesta questão, a melhor coisa é questionar diretamente o PCI Council.

Ao final, tendo todos os controles presentes, é necessário enviar para a bandeira de cartão de crédito ou o banco emissor – varia caso a caso, país a país, mercado a mercado – uma cópia do PCI Self-Assessment Questionnaire ou do Report on Compliance (ROC) para assegurar o atendimento aos requerimentos e a certificação de aderência.

Quarto Passo: A Manutenção

Em qualquer processo de aderência a um determinado padrão – seja de segurança, qualidade ou qualquer outro mercado – a manutenção é a parte mais complicada. Além de ser necessário inserir na rotina da empresa os controles requeridos, existe toda uma dinâmica de negócios que pode ameaças a manutenção da aderência em decisões difíceis de serem tomadas.

No caso do PCI DSS, este processo me parece o mesmo independente do nível de classificação do Comerciante ou Processadora, uma vez que a manutenção dos controles é o desafio, e provar para o PCI Council, bandeiras de cartão e bancos emissorres que a empresa está aderente, é só mais um processo. Os modelos estabelecidos são:

  • On-Site Data Security Assessment uma vez por ano e Network Scans a cada trimestre para os Comerciantes no Nível 1 e Processadoras nos Níveis 1 e 2.
  • PCI Self-Assessment Questionnaire uma vez por ano Network Scans a cada trimestre para os Comerciantes nos Níveis 2, 3 e 4 e as Processadoras no Nível 3.

A justificativa do PCI Council para os dois modelos, está no tamanho da estrutura dos Comerciantes e Processadoras, e na divisão da análise dos controles em uma perspectiva interna (a auditoria ou o self-assessment) e externa (os network scans).

É comum ouvir críticas sobre a eficiência deste processo, e elas são muito relevantes. Certamente uma auditoria baseada em repostas a um questionário e requisição de evidências a um cliente, não mostra de forma completa como está a segurança dos controles e processos de um ambiente. Muito menos um network scan ou penetration test por si só são as ferramenta ideais para analisar as vulnerabilidades que podem ser exploradas à partir de um acesso pela Internet.

Como na aderência a qualquer padrão, a qualidade e eficiência dos controles vai depender de como a empresa se porta em relação à Segurança da Informação como um todo. Existem motivadores financeiros para isso, como os casos da TJX, Bank of America, Morgan Stanley e Citibank exaustivamente citados como exemplos de falta de aderência ao PCI DSS com resultados desastrosos.

A Questão da Obrigatoriedade

O PCI Council estabelece alguns prazos para que os Comerciantes e Processadoras adotem o PCI DSS, porém a obrigatoriedade depende de como as bandeiras de cartão tratam o assunto, o que também varia de acordo com cada mercado.

Em alguns países existem leis que estabelecem regras de proteção para os dados de consumidores e privacidade em geral, e o PCI DSS acaba sendo somente mais um padrão a ser seguido. Em outros, as bandeiras de cartões e bancos obrigam os comerciantes a cumprirem os requerimentos ou serem multados e até perder o contrato comercial que garante o uso desta forma de pagamento. Tudo é uma questão de como o mercado se comporta.

Porém, manter a empresa aderente ao PCI DSS é parte do bom senso de proteger as informações dos portadores de cartão e evitar todos os impactos decorrentes de um acesso e uso indevido destes dados. Pessoalmente, eu vejo no mínimo quatro motivos básicos para uma empresa adotar este padrão:

  • Permite que as vulnerabilidades e possibilidades de melhoria mais simples sejam identificadas, um modelo básico de segurança implementado à partir deste resultado e posteriormente ampliado para estabelecer uma estratégia de proteção integrada aos demais dados e informações considerados importantes;
  • Permite proteger as informações dos clientes, o que além de evitar uma exposição desnecessária da empresa em caso de vazamentos – e os consequentes processos que podem ser movidos na maioria dos países – pode ser usado como ferramenta de marketing para diferenciar a empresa de seus concorrentes, e
  • É simples e escalonável, o que o torna muito mais fácil de ser vendido internamente em uma empresa que a aderência a processos e padrões mais complexos como os da família ISO 27000.

Conclusão

Como citei no começo deste artigo, a aderência ao PCI DSS pode ser considerada um snake oil por alguns setores, mas se olhada com um ponto de vista mais otimista, é o primeiro passo no aumento da proteção a qualquer ambiente. Os controles são simples, altamente escalonáveis e podem ser usados por praticamente empresas de qualquer porte e mercado.

O que sempre irá determinar o nível de proteção é o quanto a gerência da empresa dá importância para isso. Sempre existirá uma queda de braço entre a Segurança da Informação e o atendimento às necessidades de negócio da empresa, e o grande desafio não muda: é equilibrar como estes dois pontos devem ser tratados.

O mesmo se aplica ao PCI DSS, a implementação deve ser equilibrada e atender ao que a empresa quer como produto final dos seus negócios (lucro, correto?) ao invés de ser colocado como mais um custo que “tem que ser endereçado” pois é uma “exigência” do mercado.

A aderência ao PCI DSS é uma excelente escolha quando a empresa não tem um padrão de segurança implementado e precisa de algo para começar a proteger seu ambiente. Para aquelas que já possuem aderência a uma linha de controles, é uma oportunidade de alinhar o que está implementado com o que pode ser melhorado. As empresas ganham das duas formas.

Sites Relacionados

Alguns dos sites abaixo relacionados são mantidos por empresas que prestam serviços relacionados aos requerimentos do PCI Council, e podem ter um forte apelo comercial. De qualquer forma, todos apresentam informação de qualidade sobre o padrão e facilitam o entendimento do processo de uma forma geral.

· American Express Data Security

· Discover Information Security & Compliance

· JCB International Security

· MasterCard Site Data Protection Program

· PCI Standards Overview

· Visa Cardholder Information Security Program

· PCI Standard.com

· PCI Compliance Guide

· PCI Answers



[1] Fonte: Cybersource 9th On Line Fraud Report

[2] Conforme apresentado no documento Questionário de Auto-avaliação, Instruções e Diretrizes, Versão 1.1, Fevereiro de 2008.

[3] Assunto abordado em dois artigos que escrevi sobre o assunto em fevereiro de 2008, disponíveis no meu blog pessoal.

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Jul 14 2008

A Conviso e a FortConsult

Published by eduardo under Notícias, Uncategorized

Quando fundamos a Conviso, o nosso objetivo era prestar serviços para clientes em todo o mundo, usando nosso conhecimento e experiência para atender projetos no Brasil, e ainda usar a diferença de custo da nossa mão-de-obra para atender o mercado europeu. Depois de muitas discussões, assinei no dia 04 de julho de 2008 uma sociedade com a FortConsult, algo que deixa a Conviso com muito mais força para atuar nos clientes da Europa, e possibilita o acesso a metodologias e serviços da nossa nova sócia, permitindo completo acesso ao leque de produtos relacionados a PCI DSS, que era algo que queríamos desde o início.

Abaixo você poderá ver o press-release, e se quiser ver o documento original, dê uma olhada na página da Conviso.

Conviso oficializa sociedade com a consultoria dinamarquesa FortConsult
As empresas assinam contrato de parceria para o desenvolvimento de negócios nos mercados latino-americano e europeu

Copenhagen, 04 de julho de 2008 – A Conviso anuncia a assinatura de um contrato de parceria com a FortConsult, empresa dinamarquesa líder no mercado de IT Security para o mercado escandinavo. As empresas, que atuavam em um modelo de cooperação comercial mútua desde dezembro de 2007, assinaram nesta data em Copenhague um contrato de sociedade firmado entre Eduardo Vianna de Camargo Neves, Gerente de Operações da Conviso, e Ulf Munkedal, CEO da FortConsult.

A FortConsult passa a ser sócia da Conviso, resultando em duas grandes mudanças para as empresas:

  • A Conviso passa a representar a FortConsult no mercado latino-americano, ficando responsável por atender diretamente clientes em serviços de consultoria para IT Security e em ações para atendimento de compliance com o padrão Payment Card Industry Data Security Standard (PCI DSS).
  • A FortConsult passa a contar com a experiência e especialização da Conviso na prestação de serviços para o mercado europeu, onde profissionais brasileiros irão desenvolver diversos serviços à partir dos escritórios de Curitiba e São Paulo para clientes do mercado europeu.

O início das atividades resultantes desta sociedade irão começar no dia 08 de julho de 2008, quando a Conviso irá executar um road show na Lituânia e Letônia apresentando os produtos das empresas para clientes do mercado financeiro na região.

Sobre a Conviso
Atuando como fornecedora de serviços de análise de vulnerabilidades e adequação de segurança para os componentes da infra-estrutura de TI, a conviso tem em seu corpo gerencial profissionais com mais de 10 anos de experiência no mercado de Segurança da Informação, acumulando experiências nos mercados latino-americano, norte-americano e europeu como consultores, auditores e gestores em multinacionais de segmentos altamente regulamentados.

Sobre a FortConsult
A FortConsult é especializada em serviços técnicos no campo de Segurança da Informação, atuando desde 2002 no mercado europeu, com um crescimento intenso e sustentável, sendo considerada pelo jornal de negócios Børsen como uma das melhores empresas de Segurança da Informação nos Países Escandinavos.

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Jul 06 2008

Positive Security: Primeiro Passo na Produção do Conteúdo

Published by eduardo under Notícias, OWASP

Muito atrasado em relação ao cronograma originalmente submetido ao OWASP, comecei hoje a postar o conteúdo do Positive Security Project na Wiki da Organização. Como o prazo de submissão do material é nas próximas semanas, agora é priorizar o desenvolvimento para cumprir com o compromisso.

Se você quiser acompanhar as atualizações, a página do projeto fica aqui, e semanalmente vou atualizar este blog com o que tiver feito de novo.

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